quarta-feira, 29 de abril de 2026

Construindo quem somos e quem seremos: a pesquisa científica como passaporte para o futuro

 

Hoje é um daqueles dias que me fazem lembrar por que escolhi ser professor e pesquisador. Estarei no evento da Fapeal — a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas — para encontrar estudantes do ensino médio da rede pública de todo o estado, participantes do programa Pibic Jr, uma iniciativa que reúne a Secti, a própria Fapeal e a Seduc.

São adolescentes e jovens que, muitas vezes, ainda não percebem o quanto já fazem parte do mundo da ciência. Minha fala de hoje gira em torno de uma pergunta simples, mas profunda: o que a pesquisa científica tem a ver com você — agora, no ensino médio, e lá na frente, no seu futuro?

"Pesquisar não é um privilégio de poucos. É um jeito de ver o mundo com mais perguntas do que respostas prontas — e isso transforma qualquer pessoa."

A iniciação científica no ensino médio não é apenas um item no currículo. Ela desenvolve habilidades que nenhuma aula expositiva consegue ensinar sozinha: a curiosidade sistemática, a tolerância à incerteza, a capacidade de argumentar com evidências. Quem aprende a pesquisar aprende, antes de tudo, a pensar.

De Alagoas para o mundo — e o mundo nos cita

Encerro esta postagem com algo que gosto de mostrar quando falo com estudantes alagoanos, porque acredito que precisa ser dito em voz alta: produzimos ciência relevante daqui.

Em 2021, publiquei um artigo em coautoria com colegas portugueses — Paulo Marinho e Preciosa Fernandes — na revista internacional Distance Education, sobre o portfólio digital como estratégia de avaliação no ensino superior. O estudo nasceu aqui, em Maceió, na Ufal.


O mapa que carrego comigo mostra as setas que partem daqui e alcançam pesquisadores e leitores no Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Canadá, Estados Unidos, China, Índia, Indonésia, Austrália e África do Sul. Treze países. Todos citando um trabalho que foi pensado, escrito e publicado a partir do Nordeste brasileiro.

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Alcance global, origem alagoana

O artigo The digital portfolio as an assessment strategy for learning in higher education foi citado em 13 países nos cinco continentes. Ele está disponível em: tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01587919.2021.1911628

Conto isso não para me gabar, mas para dizer às estudantes e aos estudantes de hoje: a geografia não limita o alcance das suas ideias. Você pode estar numa escola pública de Maceió, de Palmeira dos Índios, de Santana do Ipanema — e ainda assim produzir conhecimento que o mundo vai ler, citar e usar.

É para isso que o Pibic Jr existe. É para isso que a pesquisa importa. Nos vemos hoje, Alagoas.

Essa postagem foi inicialmente divulgada em meu blog pessoal: https://fernandoscpimentel.blogspot.com/2026/04/construindo-quem-somos-e-quem-seremos.html

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Problema 7 - Interfaces Digitais e Interatividade (2ª parte)

Após ler os artigos do PBL, busque responder criativamente às perguntas abaixo usando uma ou duas ferramentas digitais:

1. Que tipo de atividade, mediada por interfaces digitais, você proporia em uma disciplina do seu curso para transformar um uso “bancário” do AVA (postar tarefa e sair) em um espaço de interação colaborativa entre colegas?

2. Como o design da interface (organização da tela, recursos de feedback, formas de participação) pode favorecer que os estudantes construam conhecimento em conjunto, e não apenas respondam individualmente a comandos do professor?

3. Descreva, de forma visual (fluxo, storyboard ou protótipo simples), como seria a experiência do estudante ao entrar na sua atividade: o que ele vê primeiro, que ações realiza, com quem interage e que tipo de produto coletivo é gerado.

A entrega deve ser um artefato criativo (não um texto apenas): quadro visual, protótipo, apresentação interativa ou similar.

Passo a passo detalhado para os estudantes 

Figura 2: Guia para elaboração da Parte II do PBL

Fonte: Elaborado(a) pelos(as) autores(as) com uso de IA Generativa - GEMINI


Etapa 1 – Ideação com IA generativa

1. Escolha uma disciplina do seu curso que você conheça.

2. Defina rapidamente:

  • o público-alvo (período, curso, perfil dos estudantes);
  • o conteúdo/tema da aula ou módulo;
  • o tipo de atividade (estudo de caso, projeto em grupo, discussão, resolução de problema etc.).
3. Acesse uma IA generativa (ChatGPT, Gemini, ou outra disponível) e envie um prompt semelhante ao modelo abaixo (você pode adaptar):

“Quero planejar uma atividade colaborativa para uma disciplina de graduação em [nome da disciplina]. O objetivo é trabalhar o tema [tema] usando interfaces digitais em um ambiente virtual de aprendizagem.”

4. Analise o texto retornado, selecione o que fizer sentido e reescreva/complete, se necessário, com a sua visão.

5. Salve o prompt usado e o roteiro final (versão revisada por você).


Etapa 2 – Imagem-base do protótipo

1. Transforme o roteiro em uma imagem que represente a interface:
  • o desenhe caixas para menus, área de conteúdo, chat, fóruns, botões;
  • o use setas para indicar o fluxo de navegação;
  • o identifique pelo menos:
    • § tela inicial da atividade;
    • § uma tela de interação (chat, fórum, comentários);
    • § uma tela de envio de atividade ou formulário;
    • § uma visão simples de acompanhamento (progresso/participação).
2. Digitalize ou exporte essa imagem, pois ela será anexada ou incorporada ao protótipo final.

Etapa 3 – Protótipo em Genially ou quadro branco digital (Jamboard ou Miro)

1. Escolha Genially ou quadro branco digital (Jamboard ou similar).

2. Reproduza e refine o protótipo:
  • o crie quadros/telas correspondentes às etapas da atividade;
  • o use caixas de texto para explicar o que acontece em cada parte da interface;
  • o use cores/setas para diferenciar:
    • § ações técnicas (cliques, envio de formulários);
    • § interações pedagógicas (posts, respostas, coautoria, mediação do professor).
3. Inclua, em algum canto do protótipo, uma breve legenda com:
  • o objetivo da atividade;
  • o papel do estudante;
  • o papel do professor/tutor;
  • o como a proposta se relaciona com as leituras sobre interação e interatividade.
4. Gere o link público de visualização do Genially ou do quadro branco.

5. Entregáveis

O estudante deve entregar, no AVA ou canal definido, em um único envio:

1. Prompt utilizado na IA generativa (texto copiado).

2. Roteiro final da atividade, em até 1 página, em que já apareçam as suas escolhas e ajustes.

3. Imagem-base do protótipo (arquivo de imagem ou PDF curto).

4. Link do Genially ou quadro branco digital com o protótipo comentado.

Problema 7 - Interfaces Digitais e Interatividade

Um curso de licenciatura do Ifal, na modalidade presencial com apoio de um AVA institucional, passou a adotar diversas interfaces digitais: ambiente virtual (fóruns, tarefas, materiais multimídia), salas em plataformas de videoconferência, formulários online para avaliação e um blog da disciplina para socialização de produções.

A proposta da coordenação é “modernizar” as disciplinas, incorporando metodologias ativas e ampliando a participação dos estudantes por meio dessas interfaces digitais. No entanto, após dois semestres, os estudantes relatam que continuam a vivenciar práticas muito centradas na transmissão: os fóruns são usados apenas para postar respostas individuais, quase sem diálogo; os vídeos e materiais interativos são consumidos de forma passiva; e as atividades em plataformas educacionais se resumem a quizzes para nota.

Alguns professores acreditam que “basta usar o AVA e plataformas interativas” para garantir inovação e colaboração. Outros docentes, baseados em estudos sobre interação, interatividade e EaD, argumentam que é preciso reconfigurar o desenho pedagógico, o papel do tutor/professor e o uso das interfaces para promover interações colaborativas, mútua mediação e construção coletiva de conhecimento.

A partir dessa situação, a coordenação de curso solicita à turma que analise criticamente o uso atual das interfaces digitais na licenciatura, identifique problemas e proponha estratégias para transformar a interatividade técnica em interação pedagógica significativa, alinhada a perspectivas socioculturais e colaborativas de aprendizagem.

sábado, 25 de abril de 2026

Plantão de dúvidas sobre os artigos



Olá pessoal, olha eu aqui novamente!

Na próxima segunda-feira, 27 de abril, estarei disponível para um momento de conversa com quem quiser tirar dúvidas sobre o artigo que está sendo desenvolvido.

O bate-papo acontecerá das 13h às 14h, na própria sala de aula. Será um espaço aberto, leve e colaborativo — ideal para discutir ideias, esclarecer pontos e avançar com mais segurança na escrita.

E se quiserem, já podem colocar aqui nos comentários as dúvidas que possuem, o que já facilita nossa organização.


Quem sentir que precisa desse apoio, é só aparecer!

Até lá.
Prof. Fernando Pimentel

Lá vem a segunda-feira... Todo mundo preparado?

Olá pessoal,

A segunda-feira já está logo ali, e com ela, nosso reencontro em aula. Todo mundo pronto para novas aventuras, mergulhando no universo do conhecimento sobre as tecnologias digitais no ensino?
Antes de nossa aula... fica aqui um convite (ou melhor, um pequeno desafio 👀): que tal reservar um tempinho neste domingo para alimentar o seu blog individual?


A proposta é simples, mas cheia de possibilidades, já que vocês terão que incluir em uma postagem só, três elementos:

1) Primeiro, olhe para trás e reflita sobre esse período sem aulas presenciais. O que você fez com esse tempo? Houve descobertas? Leituras que marcaram? Momentos de pausa, de dúvida, de crescimento? Não precisa ser um texto “perfeito”. Queremos algo sincero, que mostre o que esse intervalo provocou em você.

2) Depois, avance para uma análise do nosso PBL 6 – Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem. Pense além do óbvio: como esses dispositivos têm impactado sua forma de aprender? Eles aproximam ou afastam? Facilitam ou distraem? Em que medida podem ser aliados reais no processo educativo? Como as leituras propostas colaboraram para entender o problema deste PBL?

3) E, por fim… vem a parte mais intrigante.

Escolha a postagem de um colega da turma e escreva sobre ela, mas de forma enigmática. Nada de nomes, nada de pistas óbvias. Use metáforas, indiretas, imagens… faça com que os leitores precisem investigar, interpretar, conectar ideias. A ideia é que, na segunda-feira, a gente tente descobrir: quem escreveu sobre quem?

Caprichem nesse jogo de mistério. Quanto mais instigante, melhor.

Então fica o convite: um domingo de reflexão, escrita e um toque de enigma. Nos vemos (e nos lemos) em breve.

Boa escrita!

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Transcrição de Entrevistas com Apoio de IA: um protocolo metodológico em construção

Transcrição de Entrevistas com Apoio de IA: um protocolo metodológico em construção

Comentário ao relato de experiência de Diogo Ramos
(Texto original disponível em: Entrelinhas e Links – Prof. Diogo)

Meu orientando do doutorado Renoen, Diogo Ramos, publicou recentemente em seu blog um relato de experiência sobre o processo de transcrição e tratamento de áudio referente a uma entrevista realizada no núcleo da RIEH em Maceió. O relato, escrito em primeira pessoa e com marcada dimensão reflexiva, documenta não apenas o que foi feito, mas o que foi aprendido ao longo do processo. 

Nesta postagem aqui, entretanto, proponho uma leitura técnica do que Diogo descreveu, sistematizando o protocolo adotado e destacando o papel decisivo da ferramenta de IA utilizada na otimização do trabalho.

O contexto metodológico

A transcrição de entrevistas é etapa fundamental em pesquisas qualitativas. Sua função vai além do registro: ela transforma a linguagem oral em dado analisável, permitindo identificar recorrências temáticas, padrões discursivos e elementos subjetivos da fala que não seriam apreensíveis apenas pela escuta. Em investigações cartográficas (como a que estamos conduzindo sobre a RIEH), essa etapa adquire caráter ainda mais sensível, uma vez que a fidelidade ao discurso do entrevistado é condição para a integridade do processo analítico.

O protocolo adotado por Diogo: passo a passo

Com base no relato publicado, é possível reconstituir o seguinte protocolo de trabalho:

1. Acesso à plataforma e upload do arquivo. O ponto de partida foi o cadastro e acesso ao Tactiq, plataforma de transcrição automática baseada em IA. O arquivo de áudio da entrevista foi carregado diretamente na ferramenta.

2. Processamento automático pela IA. Após o upload, o sistema realizou a conversão fala-texto de forma automática, em tempo significativamente reduzido em comparação ao que demandaria uma transcrição manual integral. Essa é a etapa em que a IA demonstra seu principal diferencial: a velocidade de processamento sem perda de cobertura do conteúdo.

3. Notificação e acesso ao material transcrito. A plataforma encaminhou uma notificação via Gmail ao término do processamento, sinalizando a disponibilidade do texto gerado. Esse recurso de integração com ferramentas de comunicação contribui para a gestão eficiente do tempo do pesquisador.

4. Escuta paralela e revisão crítica do texto. Esta é a etapa de maior densidade metodológica. Diogo realizou a escuta integral do áudio em paralelo com a leitura do texto gerado pela IA. Nesse processo, foram identificados e corrigidos: palavras transcritas de forma equivocada, nomes próprios grafados incorretamente, expressões técnicas mal interpretadas pelo sistema e trechos em que a oralidade produziu construções ambíguas na versão escrita.

5. Tratamento textual. Além das correções de conteúdo, foram realizados ajustes de pontuação, reorganização sintática de frases fragmentadas e supressão de repetições excessivas — fenômenos comuns na fala espontânea, mas que comprometem a legibilidade do texto escrito e, consequentemente, a qualidade da análise posterior.

O papel da IA: otimização sem substituição

O Tactiq opera com reconhecimento automático de voz (ASR — Automatic Speech Recognition) e processa arquivos de áudio convertendo-os em texto de forma autônoma. No contexto da pesquisa acadêmica, sua contribuição é mensurável em pelo menos três dimensões:Redução do tempo operacional: a transcrição manual de uma entrevista de média duração pode demandar entre três e cinco vezes o tempo de reprodução do áudio. A IA reduz essa etapa a minutos, liberando o pesquisador para as fases analíticas do trabalho.

Cobertura integral: diferentemente da transcrição manual seletiva, o processamento automático cobre 100% do conteúdo do áudio, sem lacunas derivadas de cansaço ou distração do transcritor humano.

Base qualificada para revisão: ao gerar um texto inicial estruturado, a IA muda o papel do pesquisador na etapa de transcrição — de produtor primário do texto para revisor crítico. Essa reconfiguração é metodologicamente relevante, pois a escuta de revisão tende a ser mais analítica e atenta do que a escuta de transcrição.

A ferramenta apresenta, no entanto, limitações reconhecidas pelo próprio Diogo: dificuldade com nomes próprios, terminologia técnica e construções da oralidade espontânea. Essas limitações reforçam que a IA não substitui o pesquisador, mas reconfigura sua função — deslocando o esforço da tarefa operacional de digitação para a tarefa intelectual de revisão e qualificação do material.

Um dado formativo relevante

Vale destacar um aspecto que o próprio Diogo registra com clareza: por ser a primeira vez que conduzia esse tipo de atividade, o processo completo — transcrição automatizada mais tratamento do texto — demandou aproximadamente uma tarde inteira de trabalho. Esse dado é formativo em dois sentidos. Primeiro, porque indica que a curva de aprendizagem com ferramentas de IA na pesquisa existe e deve ser considerada no planejamento das etapas do trabalho. Segundo, porque sugere que, com a incorporação progressiva desse fluxo de trabalho, o tempo tende a diminuir consideravelmente nas transcrições seguintes. 

Quem acompanha este blog sabe que tenho defendido a distinção entre tecnologia como ferramenta e tecnologia como artefato digital. O relato de Diogo oferece um exemplo concreto dessa distinção em ação: o Tactiq não foi apenas "usado" para transcrever — ele reorganizou o fluxo de trabalho, reconfigurou o papel do pesquisador e potencializou a qualidade do produto final. Isso é o que caracteriza um artefato digital no sentido pleno: não um instrumento passivo, mas um mediador ativo do processo de produção de conhecimento.

O próximo passo natural, dentro do protocolo que estamos desenvolvendo coletivamente, será a incorporação desse fluxo às demais entrevistas previstas na pesquisa — com os devidos registros sobre tempo, qualidade e desafios encontrados em cada caso.

Parabéns, Diogo, pelo rigor do processo e pela disposição de documentá-lo.

Para ler o relato original e completo de Diogo Ramos, acesse: 


Este texto foi originalmente publicado em:

domingo, 19 de abril de 2026

Orientações sobre o dia 20 de abril

Olá, pessoal!

Espero que todos estejam bem e aproveitando o final de semana com energia renovada. Como vocês estão? A rotina da disciplina é puxada, e queria aproveitar esse espaço para checar como cada um está se saindo — se tiverem dúvidas, dificuldades ou queiram compartilhar atualizações, fiquem à vontade nos comentários!

Aproveito também para fazer um lembrete importante:

Dediquem o dia de amanhã ao artigo científico!

Amanhã é um dia valioso para avançar — e cada hora investida agora faz toda a diferença na reta final. Lembrem que o comprovante de submissão do artigo a um periódico de alto impacto precisa ser entregue até 15 de junho de 2026.

O prazo pode parecer distante, mas encontrar o periódico certo, formatar o manuscrito conforme as normas, preparar a carta de apresentação (cover letter) e aguardar a confirmação de recebimento leva tempo. Começar agora — ou retomar onde pararam — é o melhor caminho para chegar com tranquilidade à data de entrega.

Algumas sugestões para aproveitar bem o dia de amanhã:

  • Leiam as Notas de Orientação enviadas por e-mail;
  • Para quem já começou a escrever: revise o rascunho atual e identifique as seções que ainda precisam de mais trabalho;
  • Pesquise e defina o periódico-alvo (verifique fator de impacto, escopo e instruções aos autores);
  • Avance na revisão bibliográfica e na discussão dos resultados;
  • Se já estiver em fase final, revise ortografia, normalização das referências e formatação.
  • E se nem começou ainda... mãos à obra! escrever requer tempo, dedicação...


Contem comigo para o que precisarem. Bom trabalho a todos — e não se esqueçam de comentar aqui como estão!

Um abraço,

Prof. Fernando Pimentel


domingo, 12 de abril de 2026

Estudo dirigido: articulações sobre tecnologia, inteligência e educação

Olá, pessoal, como estão? Espero que estejam aproveitando as leituras do último PBL e conseguindo avançar nas articulações teóricas que temos proposto. 

Como anunciado deste o início da disciplina, o nosso encontro desta segunda (13 de abril) está sendo compensado pelo estudo dirigido abaixo, a partir do Capítulo XV do livro Conceito de Tecnologia, de Álvaro Vieira Pinto (volume I), com algumas provocações que exigem um movimento mais autoral de vocês.

A ideia não é que não temos aula amanhã. Aproveitem o tempo que teriam em sala de aula (mais ou menos 4 horas), para realizar o estudo dirigido.

A ideia aqui não é apenas compreender o texto, mas pensar com o autor, tensioná-lo e colocá-lo em diálogo com outros referenciais que já atravessaram nossa disciplina.


Estudo Dirigido – Capítulo XV (Álvaro Vieira Pinto)

Neste capítulo, Vieira Pinto aprofunda a discussão sobre a tecnologia enquanto fenômeno histórico e social, deslocando qualquer leitura ingênua que a trate como algo neutro ou externo à vida humana. Como já vimos em outros momentos, para ele, a tecnologia é sempre expressão do trabalho humano acumulado, e, portanto, carregada de intencionalidade, de contexto e de projeto histórico.

Gostaria que vocês lessem o capítulo atentos/as a três movimentos principais:
1. Tecnologia e historicidade; percebam como o autor insiste que a tecnologia não pode ser compreendida fora das condições concretas de sua produção. Ela não é apenas ferramenta — é também síntese de relações sociais.

Pergunta para orientar a leitura: como Vieira Pinto desmonta a ideia de tecnologia como algo universal e neutro?

2. Tecnologia, consciência e ideologia: aqui, o ponto fica ainda mais interessante. A tecnologia aparece também como elemento que participa da formação da consciência, podendo tanto reproduzir quanto tensionar estruturas de dominação.

Pergunta para orientar a leitura: de que maneira a apropriação (ou não) da tecnologia interfere na constituição de uma consciência crítica?

3. A centralidade do trabalho: retomando um eixo fundamental do pensamento do autor, observem como o trabalho continua sendo a chave interpretativa para compreender a relação entre sujeito, técnica e mundo.

Pergunta para orientar a leitura: como o conceito de trabalho permite compreender a tecnologia para além de uma visão instrumental?

Diálogo com Pierre Lévy

Agora vem a parte que mais me interessa: as conexões que vocês vão construir. Ao lerem o capítulo, tentem estabelecer aproximações (ou distanciamentos) com o livro As Tecnologias da Inteligência.

Algumas pistas:
  • Lévy nos diz que as tecnologias transformam profundamente as formas de pensar, conhecer e comunicar
  • Ele propõe a ideia de uma ecologia cognitiva, em que humanos e tecnologias compõem coletivos pensantes
  • Também rejeita a ideia de técnica neutra, assim como Vieira Pinto
Questão de articulação: em que medida a noção de tecnologia como produção histórica do trabalho (Vieira Pinto) dialoga com a ideia de tecnologias como reorganizadoras da cognição (Lévy)?

Articulação com outros autores

Quero que vocês avancem um pouco mais e tragam para o texto pelo menos dois autores que já trabalhamos. Desafio: Não basta citar — é preciso articular conceitos. Onde eles convergem? Onde tensionam Vieira Pinto?

Questão específica – Capítulo XIV (aprendizagem)

Encaminhando para a conclusão do estudo agora proponho a vocês uma questão mais focal, que quero que desenvolvam com bastante cuidado:

Considerando a concepção de aprendizagem apresentada por Álvaro Vieira Pinto no Capítulo XIV (a partir da p. 601), como podemos compreender a aprendizagem não como simples aquisição de conteúdos, mas como transformação da relação do sujeito com o mundo mediada pelo trabalho e pela técnica?

Na resposta, tentem:
  • Explicitar o conceito de aprendizagem no autor
  • Relacioná-lo à ideia de transformação da realidade
  • Dialogar com Pierre Lévy, especialmente no que diz respeito às transformações cognitivas mediadas pelas tecnologias
  • Indicar implicações para a educação contemporânea
Encaminhamento final

Produzam um texto entre 2 a 3 páginas. Ele vai ser usado no seu artigo! Ou seja, já pensem na articulação com o artigo final da disciplina. 

Quero ver:
  • Capacidade de articulação teórica
  • Apropriação conceitual (sem citações soltas)
  • Um posicionamento próprio — ainda que em construção

Leiam com calma, anotem, estranhem o texto quando necessário. O esforço aqui é sair da leitura confortável e entrar numa leitura formativa, daquelas que nos deslocam.

Na próxima postagem do blog de vocês quero ler sobre as aproximações que vocês encontraram e, principalmente, sobre as divergências teóricas encontradas no desenvolvimento deste estudo dirigido.

Bom trabalho e seguimos em diálogo!

terça-feira, 7 de abril de 2026

Ressignificações: Páscoa, trajetória acadêmica e compromisso social

 


Que bom podermos reconhecer aquilo que nos une, muito mais do que aquilo que nos diferencia. Em uma turma tão especial, cada um com sua trajetória e seus credos, fomos capazes de transcender, reconhecendo que a beleza está em podermos ir juntos nesta caminhada de aprendizados, por vezes, tendo que voltar a traz.

A aula de ontem foi iniciada em um clima de pausa, reflexão e partilha. Entre mestrandos e doutorandos, abrimos espaço para pensar a Páscoa não apenas como uma data do calendário, mas como um símbolo potente de travessia e transformação.

A ideia de Páscoa nos convida a olhar para os processos, muitas vezes silenciosos, de mudança que atravessam nossas trajetórias. No contexto da pós-graduação, essas travessias se manifestam em deslocamentos teóricos, revisões de certezas, enfrentamentos de inseguranças e reconstruções constantes do próprio modo de pesquisar, escrever e existir na academia. Não se trata apenas de avançar, mas de transformar-se ao longo do caminho.

Nesse sentido, a Páscoa nos provoca a reconhecer que toda travessia implica também deixar algo para trás: concepções que já não se sustentam, práticas que precisam ser revistas, expectativas que precisam ser ajustadas. Há, portanto, um movimento de morte simbólica e renascimento, essencial para que novas compreensões possam emergir com mais consistência e sentido.

Como continuidade dessa reflexão, fica o convite:
Que “travessias” têm marcado sua trajetória no mestrado/doutorado, e o que, nelas, precisa ser ressignificado?

Obrigado a cada um, pelo dom de si mesmo em cada momento de aula, e nos momentos de aprendizados para além das aulas, nos corredores e em outros espaços...

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Problema 6 - Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem (2ª parte)

Perguntas

1    – O que é aprendizagem móvel? Que conceitos fundamentam essa perspectiva de utilização de tecnologias móveis no ensino?

2    - Quais são os principais dispositivos digitais que podem ser utilizados na aprendizagem móvel e quais suas potencialidades no contexto educacional?

3     - De que forma o uso de tecnologias digitais pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia e das competências dos alunos? Como os dispositivos digitais podem ser utilizados de forma pedagógica para aumentar o engajamento dos alunos em sala de aula?


4 - Como assegurar a interação e a interatividade com uso dos artefatos tecnológicos gerando uma aprendizagem significativa para os estudantes, afastando-se da passividade e dos métodos tradicionais de ensino?


Bibliografia Básica

SANTOS, E.; PORTO, C. App-Education: fundamentos, contextos e práticas educativas luso-brasileiras na cibercultura. EDUFBA, Salvador, 2019.

BERNARDO, J. C. O; KARWOSKI, A. M. A leitura em dispositivos digitais móveis. ETD, Campinas, v. 19, n. 4, p. 795-807, dez. 2017 . Disponível em  <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676- 25922017000500795&lng=pt&nrm=iso>.  acessos  em    22    mar.    2026.

SANTOS, S. L.; STAHL, N. S. P; DA SILVA, M. A. G. T.; SARDINHA, L. C. Dispositivos móveis: um facilitador no processo ensino-aprendizagem. Revista Vértices, [S. l.], v. 18, n. 2, p. 121–139, 2016. Disponível                                 em: https://editoraessentia.iff.edu.br/index.php/vertices/article/view/1809-2667.v18n216- 09.. Acesso em: 22 mar. 2026.

SONEGO, A. H. S; BEHAR, P. A. M-learning: o uso de dispositivos móveis por uma geração conectada. Educação. Porto Alegre, Porto Alegre,  v.  42,  n.  3,  p.  514-524,   set.   2019  .    Disponível  em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981- 25822019000300514&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 23 mar. 2026. Epub 10-Fev- 2020.


Bibliografia Complementar

DUSI, L. L.; PEDROSA, S. M. P. A; SANTOS, S. R. M. Tecnologias digitais e aprendizagem docente:histórias em função de um saber específico. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 33, n. 74, p. 119–132, 2024.

WANG, C.; CHEN, X.; YU, T.; LIU, Y.; JING, Y. Education reform and change driven by digital technology: a bibliometric study from a global perspectiveHumanities and Social Sciences Communications, [S.l.], v. 11, 2024. DOI: 10.1057/s41599-024-02717-y.

Cada participante deverá:

  1. Gravar um vídeo (máximo de 5 minutos)
    • Responder às perguntas propostas em formato de entrevista
    • Apresentar as ideias com clareza e objetividade
  2. Publicar o vídeo no YouTube (gmail)
    • Criar uma conta, caso ainda não possua
    • Fazer o upload do vídeo
    • Definir a visibilidade como pública ou não listada
  3. Compartilhar no blog
    • Copiar o link do vídeo publicado
    • Inserir o link em uma postagem no seu blog acadêmico, comentando como foi o processo de planejamento e produção do vídeo

Requisitos

  • Duração máxima: 5 minutos
  • Formato: entrevista (respostas às perguntas propostas)
  • Prazo: até às 18h do dia 11 de abril 

Problema 6 - Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem

Marina é professora do ensino superior há vários anos numa instituição privada e em sua prática docente, sempre realiza aulas expositivas, utilizando o quadro branco, nas quais somente ela fala e os alunos atuam como ouvintes. Com o tempo, passou a perceber que seus alunos demonstravam cada vez menos interesse em suas aulas, especialmente quando comparado ao uso frequente que fazem de celulares, tablets e outros dispositivos móveis fora da sala de aula. Embora esses recursos estejam presentes no cotidiano dos estudantes, Marina sente medo, não compreende plenamente quais são esses dispositivos digitais, como funcionam e de que forma podem ser utilizados de maneira pedagógica.

Conversando com outros professores e com a gestão, Marina descobriu que muitos professores já vêm explorando a aprendizagem móvel, utilizando dispositivos digitais para promover maior interação, colaboração e dinamismo nas aulas. No entanto, ela passa a refletir sobre a necessidade de compreender quais dispositivos podem ser utilizados, como integrá-los ao planejamento e de que maneira esses artefatos tecnológicos podem ir além do entretenimento, contribuindo efetivamente para a aprendizagem.

Diante desse cenário, Marina enfrenta o desafio de compreender melhor o universo dos dispositivos digitais e da mobilidade na educação, buscando formas de incorporá-los de maneira significativa em sua prática pedagógica. Ela precisa investigar como mediar o uso cotidiano dessas tecnologias em oportunidades de aprendizagem móvel, capazes de estimular o engajamento, a criatividade, a autonomia e o desenvolvimento de competências digitais nos alunos.



Direcionamento para a 1ª discussão em grupo:

Iniciem a discussão buscando uma leitura compartilhada do cenário:
Os dispositivos móveis estão presentes em nosso cotidiano? De que forma? E eles estão presentes nos processos educativos? Quando eles são incorporadas?

Quais os limites e as potencialidades destes dispositivos em processos de ensino?

Sobre o tema deste PBL (Dispositivos digitais no ensino-aprendizagem), o que já sei e o que eu gostaria de saber?

Lembrem de elaborar (e postar aqui como resposta ao blog) três questões que - ao ler e refletir durante a semana, conseguiremos entender melhor o problema e buscar soluções...

Problema 5 - Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites (3ª parte)

Como vai ser nossa aula, concluindo o PBL 5?

1º - Apresentação dos vereditos (~30 min)
Cada estudante apresenta brevemente seu veredito — não a linha do tempo inteira, mas o posicionamento que construiu a partir dela. O foco é na resposta à terceira pergunta do problema: o que precisaria mudar para que as tecnologias digitais contribuíssem de fato para a aprendizagem?

2º Debate coletivo: convergências e divergências (~30 min)
Cada grupo mapeia o que os vereditos têm em comum e onde divergem. Quais mudanças apareceram com mais frequência? Quais posicionamentos surpreenderam? Quais argumentos foram mais bem sustentados nas referências? O debate não é para chegar a um consenso forçado, mas para identificar onde a evidência dos textos aponta com mais clareza.

3º Fechamento do problema (~20 min)
A turma, com a mediação das colegas que elaboraram o PBL, sintetiza as principais aprendizagens do Problema 5: o que a história das tecnologias no ensino revela? O que ficou sem resposta? O que esse percurso muda — ou deveria mudar — na forma de pensar a própria prática docente?


DESCREVER VS. ARGUMENTAR

Ao apresentar seu veredito, vá além do que os textos dizem. Diga o que você concluiu, e por quê. Um veredito fraco repete informações. Um veredito forte toma partido, sustenta com evidência e reconhece os limites do próprio argumento.

domingo, 5 de abril de 2026

Metade do caminho: e você, onde está?

Chegamos ao meio da disciplina. Este é um momento que merece pausa, não para descanso, mas para o movimento que talvez seja o mais exigente da vida acadêmica: olhar para si mesmo como aprendiz.

Já exploramos os fundamentos teóricos das tecnologias digitais no ensino, as interfaces, os dispositivos, as possibilidades e os limites. Mas o que tudo isso fez com o seu pensamento? O que você trouxe para a sala e o que você está levando dali?

Perguntas para você se provocar:
→ O que você de fato aprendeu até aqui — não apenas o que você estudou, mas o que mudou na sua forma de pensar?
→ Como você se posiciona diante da dinâmica do PBL? Você chegou preparado/a? Argumentou com base em evidências? Ou ainda resiste a sair do senso comum?
→ Mestrado e doutorado exigem mais do que ler: exigem problematizar. Você está problematizando ou apenas consumindo conteúdo?
→ Seu portfólio conta a história do seu processo — ou é só um registro burocrático? Há voz, há dúvida, há movimento intelectual nele?
→ O que ainda te falta — em leitura, em participação, em coragem intelectual — para chegar forte na segunda metade?

A tarefa: escreva no seu e-portfólio uma entrada de autoavaliação de meio de disciplina. Não precisa ser longa; precisa ser honesta. Reflita sobre sua trajetória até aqui, nomeie o que aprendeu, reconheça o que ainda está em construção e escreva o que você se compromete a fazer na segunda metade. Depois, envie o link da postagem para um dos colegas que você vai escolher para ler e analisar sua auto-avaliação (antes de começarmos a aula desta segunda-feira (06/04/2026).

Lembre: o portfólio não é um relatório de atividades. Ele é o espelho do seu crescimento como pesquisador/a. Que imagem ele está refletindo?

sábado, 4 de abril de 2026

Esperança e transformação: sentidos da Páscoa em tempos contemporâneos

Prezados(as) mestrandos(as) e doutorandos(as),

A partir de amanhã, o mundo cristão celebra a Páscoa, um tempo simbólico que nos convida à reflexão sobre renovação, esperança e ressignificação da vida. Um tempo especial que para os católicos se estende por 50 dias.

Meu desejo para cada um de vocês e suas famílias, é que a luz de Jesus Ressuscitado possa iluminar a todos nós, independentemente de credo, inspirando práticas pautadas na ética, na empatia e no compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. 

Que esse período também nos motive a repensar nossos percursos acadêmicos e profissionais à luz de valores humanos essenciais.

Em nossa próxima aula, convido-os(as) para um breve momento de dinâmica, com o intuito de promover integração e partilha. Aqueles(as) que desejarem podem trazer um bombom ou chocolate para contribuir com a atividade.

Já posso adiantar que me sinto honrado e feliz em poder ser professor de cada um de vocês, vendo o crescimento acadêmico e pessoal de cada um.

Uma abençoada Páscoa!

Prof. Fernando Pimentel

PBL 12 - Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais no Ensino

No contexto do ensino superior, as Tecnologias Digitais (TD) passaram a ocupar um papel central tanto como objeto de investigação quanto com...