segunda-feira, 15 de junho de 2026

PBL 12 - Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais no Ensino

No contexto do ensino superior, as Tecnologias Digitais (TD) passaram a ocupar um papel central tanto como objeto de investigação quanto como meio de produção científica. Pesquisadores utilizam ferramentas digitais para coleta, análise e disseminação de dados, ao mesmo tempo em que investigam os próprios impactos, usos e implicações dessas tecnologias.

Entretanto, observa-se um cenário complexo: embora haja ampliação no uso das TD nos processos de pesquisa, nem sempre há clareza epistemológica e metodológica sobre como essas tecnologias estão sendo incorporadas. Em muitos casos, as TD são utilizadas como suporte técnico, sem redefinir as formas de investigar, produzir conhecimento ou inovar.

Além disso, emergem algumas tensões:

- a distinção pouco clara entre pesquisar com tecnologias digitais e pesquisar sobre tecnologias digitais;
- a reprodução de métodos tradicionais em ambientes digitais, sem transformação nos modos de produção científica; e
- a dependência de ferramentas digitais sem reflexão crítica sobre seus limites, vieses e implicações;
- a dificuldade de traduzir o uso de TD em processos efetivos de inovação científica.

Diante desse cenário, observa-se que há uma problemática em como as tecnologias digitais estão, de fato, reconfigurando (ou não) os modos de pesquisar e produzir conhecimento no ensino superior, e em que medida seu uso tem contribuído para processos reais de inovação científica, para além de sua função instrumental.

domingo, 14 de junho de 2026

Chegamos à reta final — e o mapa é de cada um de vocês

Olá pessoal. Tudo bem com todos?

Estamos chegando ao fim de um percurso longo, intenso e (espero que concordem muito significativo. A disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino está se aproximando de sua última estação, e é hora de olhar para trás, contemplar o território percorrido e registrar o que esse caminho produziu em cada um de vocês.

Para encerrar com a profundidade que o percurso merece, peço que realizem uma última postagem no e-portfólio individual, e dessa vez, o objeto de reflexão é vocês mesmos.

O que espero dessa postagem?

Quero que cada um escreva uma postagem que contemple três movimentos:

  1. Uma autoavaliação — sobre seu próprio envolvimento, aprendizagens e desenvolvimento ao longo da disciplina.
  2. Uma avaliação da disciplina — sua estrutura, metodologia, conteúdos, desafios e possibilidades.
  3. Uma avaliação do professor — com honestidade, generosidade e respeito. Essa é uma parte que levo muito a sério (quem me conhece sabe disso) e que contribui diretamente para a minha própria formação.

Algumas questões para nortear (mas não aprisionar) a sua escrita:

Para quem precisar de um ponto de partida, ofereço cinco perguntas. Elas não são um roteiro obrigatório;  são apenas lampejos para acender a reflexão. Cada um é livre para seguir seu próprio caminho, escrever do jeito que quiser, trazer o que fez mais sentido, incomodou mais, surpreendeu mais.

1. O que você carrega daqui?
Que aprendizagem, conceito, experiência ou inquietação desta disciplina você sente que realmente ficou e que pode transformar sua prática docente e investigativa?

2. Como você avalia o seu próprio percurso?
Olhando para sua participação nos PBLs, para as postagens no e-portfólio, para as leituras e produções: o que você fez bem? O que deixou a desejar? O que faria diferente?

3. O que a disciplina acertou — e o que ela poderia fazer diferente?
Seja sobre a metodologia PBL, os temas abordados, o ritmo, as atividades ou o uso do e-portfólio como instrumento: o que funcionou para você? O que poderia ser repensado?

4. Como você avalia a atuação do professor?
Fique à vontade para ser honesto. O que contribuiu para a sua aprendizagem? O que precisaria mudar? Houve momentos em que a mediação foi insuficiente, excessiva ou desalinhada com o que você precisava?

5. Que tipo de professor ou professora você quer ser a partir daqui?
Se este percurso tocou em algo da sua identidade docente, da sua relação com as tecnologias, com a pesquisa ou com os estudantes, vale registrar esse movimento — mesmo que ainda seja uma pergunta em aberto.

Não há formato certo, ok! Pode ser uma narrativa, uma reflexão mais analítica, uma lista, um texto livre, um vídeo, um áudio incorporado. O que importa é que seja genuíno que a postagem diga algo verdadeiro sobre o que este semestre foi para você.

Agradeço de coração a cada um pela disposição de aprender em público, pela coragem de registrar o processo, pelas perguntas feitas nos comentários e nas salas, e pelas produções que foram tomando forma nos portfólios ao longo desse semestre.

Aguardo as postagens com muita curiosidade. Por favor, avisem aqui quando realizarem a postergam de vocês no e-portfólio individual.

Até amanhã, com gostinho de Copa do Mundo, de festejos juninos, de final de semestre...

Espero mesmo que ninguém falte amanhã.

Prof. Fernando

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cartografar é habitar o território: reflexões sobre o mapeamento em Formação Docente e Tecnologias Digitais

Olá pessoal. Todos estão bem?

Estou acompanhando o que estão, ainda de forma tímida, compartilhando nos portfólios de vocês. E, com base no que li, queria propor algumas reflexões.

Fazer um mapeamento cartográfico não é simplesmente organizar informações em um plano visual. É um gesto de habitar um território, de percorrer seus caminhos, sentir suas tensões e deixar rastros do que foi vivido durante a leitura e a escrita coletiva. Quando tomamos como objeto a Formação Docente e as Tecnologias Digitais, esse gesto ganha ainda mais complexidade, porque estamos diante de um campo atravessado por disputas, contradições e movimentos que raramente se deixam capturar em categorias fixas.

Os textos indicados para este problema nos colocam diante de perspectivas que, juntas, revelam muito mais do que qualquer uma sozinha seria capaz. A Resolução CNE/CP nº 4/2024 traz o peso normativo das políticas educacionais. Odelski, Giraffa e Casartelli nos provocam a pensar as práticas pedagógicas em sua concretude. Custódio e Rodrigues nos lembram que o pensamento crítico e a cidadania digital precisam ser cultivados na formação inicial. Brien nos apresenta um olhar internacional sobre o desenvolvimento profissional docente em contextos de transformação digital. Scherer, Siddip e Tondeur nos aproximam de um modelo e das condições de aceitação ou rejeição das tecnologias pelos professores. E Vanegas e colaboradores nos oferecem um panorama de competências e modelos que circulam na literatura mais recente.

Ler esses textos de forma cartográfica significa não apenas extrair conteúdo, mas identificar onde eles se encontram, onde se contradizem, onde abrem brechas. É nesse movimento que as linhas do mapa vão emergindo: linhas duras, que representam as estruturas consolidadas, as políticas, as normativas, os modelos consagrados; linhas flexíveis, que revelam as negociações cotidianas, os arranjos possíveis entre o que é prescrito e o que é vivido; e linhas de fuga, que apontam para as rupturas, as invenções, os modos de fazer que escapam ao controle e inauguram possibilidades ainda não nomeadas.

A cartografia não separa o mapa do seu processo de construção. O mapa é o próprio percurso.

E por isso a pergunta que fica para os grupos: como vocês estão realizando as leituras? Estão lendo individualmente e depois reunindo fragmentos, ou estão conseguindo criar um campo de diálogo entre os textos durante o próprio processo de leitura? E quanto ao mapeamento, como estão identificando as linhas? As linhas duras aparecem com mais facilidade, porque as políticas e os modelos teóricos se apresentam de forma mais explícita, mas como vocês estão percebendo as linhas flexíveis e, especialmente, as linhas de fuga nos textos? Que tensões entre os Territórios de Formação e Currículo já se tornaram visíveis para o grupo?

Juro que gostaria de ler nos portfólios de cada um essa experiência de produção cartográfica, para irmos aprendendo juntos... Conto com vocês nesta reta final da disciplina, neste penúltimo PBL.

PBL 12 - Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais no Ensino

No contexto do ensino superior, as Tecnologias Digitais (TD) passaram a ocupar um papel central tanto como objeto de investigação quanto com...