sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cartografar é habitar o território: reflexões sobre o mapeamento em Formação Docente e Tecnologias Digitais

Olá pessoal. Todos estão bem?

Estou acompanhando o que estão, ainda de forma tímida, compartilhando nos portfólios de vocês. E, com base no que li, queria propor algumas reflexões.

Fazer um mapeamento cartográfico não é simplesmente organizar informações em um plano visual. É um gesto de habitar um território, de percorrer seus caminhos, sentir suas tensões e deixar rastros do que foi vivido durante a leitura e a escrita coletiva. Quando tomamos como objeto a Formação Docente e as Tecnologias Digitais, esse gesto ganha ainda mais complexidade, porque estamos diante de um campo atravessado por disputas, contradições e movimentos que raramente se deixam capturar em categorias fixas.

Os textos indicados para este problema nos colocam diante de perspectivas que, juntas, revelam muito mais do que qualquer uma sozinha seria capaz. A Resolução CNE/CP nº 4/2024 traz o peso normativo das políticas educacionais. Odelski, Giraffa e Casartelli nos provocam a pensar as práticas pedagógicas em sua concretude. Custódio e Rodrigues nos lembram que o pensamento crítico e a cidadania digital precisam ser cultivados na formação inicial. Brien nos apresenta um olhar internacional sobre o desenvolvimento profissional docente em contextos de transformação digital. Scherer, Siddip e Tondeur nos aproximam de um modelo e das condições de aceitação ou rejeição das tecnologias pelos professores. E Vanegas e colaboradores nos oferecem um panorama de competências e modelos que circulam na literatura mais recente.

Ler esses textos de forma cartográfica significa não apenas extrair conteúdo, mas identificar onde eles se encontram, onde se contradizem, onde abrem brechas. É nesse movimento que as linhas do mapa vão emergindo: linhas duras, que representam as estruturas consolidadas, as políticas, as normativas, os modelos consagrados; linhas flexíveis, que revelam as negociações cotidianas, os arranjos possíveis entre o que é prescrito e o que é vivido; e linhas de fuga, que apontam para as rupturas, as invenções, os modos de fazer que escapam ao controle e inauguram possibilidades ainda não nomeadas.

A cartografia não separa o mapa do seu processo de construção. O mapa é o próprio percurso.

E por isso a pergunta que fica para os grupos: como vocês estão realizando as leituras? Estão lendo individualmente e depois reunindo fragmentos, ou estão conseguindo criar um campo de diálogo entre os textos durante o próprio processo de leitura? E quanto ao mapeamento, como estão identificando as linhas? As linhas duras aparecem com mais facilidade, porque as políticas e os modelos teóricos se apresentam de forma mais explícita, mas como vocês estão percebendo as linhas flexíveis e, especialmente, as linhas de fuga nos textos? Que tensões entre os Territórios de Formação e Currículo já se tornaram visíveis para o grupo?

Juro que gostaria de ler nos portfólios de cada um essa experiência de produção cartográfica, para irmos aprendendo juntos... Conto com vocês nesta reta final da disciplina, neste penúltimo PBL.

Um comentário:

  1. Olá, professor! Os mapas estão sendo produzidos individualmente. Após uma reunião na últilma segunda optamos por cada um construir o seu. Quanto às tensões entre os territórios de Formação e Currículo, a principal que identifiquei é a distância entre o que os documentos e políticas propõem e as condições reais de implementação. Embora haja uma defesa da integração crítica e inovadora das tecnologias, muitos processos formativos ainda apresentam abordagens instrumentais, centradas no uso de ferramentas, sem aprofundar questões éticas, pedagógicas e sociais. Outra tensão está na rapidez das transformações tecnológicas em comparação com o ritmo das mudanças curriculares e institucionais, o que gera desafios para que a formação docente acompanhe as demandas.

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