segunda-feira, 11 de maio de 2026

Problema 9 - Design de atividades didáticas mediadas por tecnologias

Perguntas: 

1.Como os referenciais estudados descrevem o papel do professor no processo de design didático e de que modo essa compreensão pode orientar escolhas intencionais nas incorporações de tecnologias digitais?

2.Quais critérios os autores propõem para selecionar e integrar tecnologias às atividades de aprendizagem e de que forma esses critérios ajudam a evitar a simples digitalização de práticas tradicionais?

3.De que maneira as etapas de planejamento apresentadas nos referenciais, desde a definição dos objetivos até a avaliação, contribuem para construir um design coerente, acessível e centrado na aprendizagem ativa ou participativa dos estudantes?

 

Referências:

HAYASHI, E. C.S.; BARANAUSKAS, M. C. C. “Affectibility” and Design Workshops: Taking actions towards more sensible design. Proceedings of the 12th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems. Porto Alegre, 2013. p. 3-12. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/epdf/10.5555/2577101.2577106. Acesso em: 07. maio.2026. 

KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf. Acesso em: 07. maio.2026.

LIMA, I. P.; VIANA, M. A. P. Prática docente com uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação: possibilidades e limites. In: MERCADO, L. P. L.; VIANA, M. A. P.; PIMENTEL, F. S. C. (Org.) Estratégias Didáticas e as TIC: ressignificando as práticas na sala de aula. Maceió: Edufal, 2018. 

POSADA, Julián Esteban Gutiérrez. Interfaces Tangíveis e o Design de Ambientes Educacionais para Co-construção de Narrativas. Tecnologias, Sociedade e Conhecimento, Campinas, v. 3, n. 1, p. 104-107, dez. 2015. Disponível em: http://www.nied.unicamp.br/ojs/Acesso em: 07. maio.2026. 

RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: Editora da Universidade de Pernambuco (UPE), 2010. p. 44. Disponível em:http://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/204082/2/Livro%20Didatica.pdfAcesso em: 07. maio.2026.

Complementar:

COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Parte II: Fatores e processos psicológicos envolvidos na aprendizagem virtual: um olhar construtivista. In: COLL, César; MONEREO, Carles (orgs.). Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 97-136. 

THE TPACK Framework Explained (With Classroom Examples). PowerSchool, [s. l.], 20 abr. 2025. Disponível em: https://www.powerschool.com/blog/the-tpack-framework-explained-with-classroom-examples/. Acesso em: 9 maio 2026. 

MERCADO, Luís Paulo Leopoldo (org.). Integração de mídias nos espaços de aprendizagem. In: MERCADO, L. P. L. (Org.). Em Aberto. Brasília: INEP, v. 1, n. 1, 2029.. Disponível em:http://www.emaberto.inep.gov.br. Acesso em: 9 maio 2026. 

ALIVI. Justisinta. A Review Of Tpack And Samr Models: How Should Language Teachers Adopt Technology? Journal of English for Academic and Specific Purposes (JEASP), 2019.Disponível:https://www.researchgate.net/publication/338090115_A_REVIEW_OF_TPACK_AND_SAMR_MODELS_HOW_SHOULD_LANGUAGE_TEACHERS_ADOPT_TECHNOLOGYAcesso em: 9 de maio de 2026.

 

Atividade

Desenvolvimento de um Framework Visual para o Design de Atividades Mediadas por Tecnologias


Objetivo: conduzir os estudantes à compreensão aprofundada do processo de design didático mediado por tecnologias, por meio da construção colaborativa de um framework visual que explicite as etapas, decisões e critérios envolvidos.

Descrição da atividade: organizados em seus grupos, produzir um Framework Visual Digital utilizando plataformas como Miro, Padlet, Jamboard ou outra ferramenta de criação colaborativa. Esse framework deve sintetizar, em formato gráfico, o conjunto de decisões que um docente precisa tomar ao desenhar uma atividade mediada por tecnologias, tomando o problema do PBL como referência para orientar a análise.

Componentes obrigatórios do framework:

      Formulação dos objetivos de aprendizagem da atividade.

      Identificação das necessidades, perfis e contextos dos estudantes.

      Critérios para a seleção de tecnologias digitais e sua justificativa pedagógica.

      Estruturação da sequência da atividade, detalhando ações, tempos e interações.

      Estratégias de avaliação e feedback, articuladas ao uso das tecnologias.

      Considerações sobre acessibilidade, engajamento e carga cognitiva.

      Previsão de limitações, riscos e alternativas possíveis.


Produto final: uframework visual digital, claro e estruturado, que represente o processo de design da atividade mediada por tecnologias e evidencie as relações entre objetivos, estratégias, recursos e avaliação.

2 comentários:

  1. 1. A construção colaborativa do framework foi um dos fatores para responder a essas três questões com profundidade:1. A atuação docente e a intencionalidade nas decisões
    Nos módulos iniciais do nosso modelo, chamados de Ponto de Partida e Arquitetura da Escolha, o educador atua como arquiteto da aprendizagem. Segundo Rêgo e Lima (2010), a prática pedagógica exige que os objetivos educacionais orientem as decisões, considerando sempre o contexto sociocultural dos alunos. Além disso, o modelo TPACK de Koehler, Mishra e Cain (2013) destaca a integração inseparável entre tecnologia, pedagogia e conteúdo. Esse embasamento garante um agir intencional, permitindo ao docente abandonar o improviso e eleger recursos digitais que impulsionem o letramento digital de maneira contextualizada.

    ​2. Parâmetros de escolha para evitar a digitalização passiva
    Estabelecemos diretrizes claras em nosso modelo para impedir a simples transferência de aulas expositivas para as telas. Com base em Hayashi e Baranauskas (2013), integramos o conceito de afetibilidade para assegurar o uso de ferramentas com design empático e acolhedor. A perspectiva de Posada (2015) complementa essa ideia ao ressaltar que as plataformas devem incentivar a criação conjunta de narrativas. Ao priorizarmos recursos que fomentam a criatividade, a autoria e o trabalho colaborativo, evitamos a digitalização passiva e transformamos a tecnologia em um ambiente de vivência participativa.

    ​3. O design de um planejamento integrado, acessível e dinâmico
    Nosso referencial detalha a trajetória de ensino dividindo a Estruturação da Sequência em Preparação, Exploração, Categorização e Síntese. Para evitar a exaustão dos estudantes durante essas etapas, os componentes de Avaliação e Engajamento e Carga Cognitiva operam de forma interligada. Apoiados em Coll e Monereo (2010), destacamos a importância de fornecer suportes progressivos que previnam a sobrecarga mental e estimulem a aprendizagem. A avaliação assume um caráter formativo e contínuo. Por fim, o módulo de Limitações, Riscos e Alternativas incorpora o olhar crítico de Lima e Viana (2018), orientando o professor a prever obstáculos pedagógicos e estruturar planos de contingência para a infraestrutura e a acessibilidade.

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  2. 1. Como os referenciais estudados descrevem o papel do professor no processo de design didático e de que modo essa compreensão pode orientar escolhas intencionais nas incorporações de tecnologias digitais?

    Os referenciais mostram que o professor não é apenas alguém que transmite conteúdo ou escolhe uma ferramenta digital para “modernizar” a aula. Ele atua como mediador e designer da aprendizagem, porque precisa planejar objetivos, conhecer os estudantes, organizar as interações, escolher recursos e pensar formas de avaliação. Essa compreensão ajuda a evitar o uso da tecnologia de forma aleatória ou só para dar aparência de inovação. A partir do TPACK, por exemplo, a escolha tecnológica precisa nascer da articulação entre conteúdo, pedagogia e contexto da turma. Ou seja, primeiro o professor entende o que quer ensinar e quem são seus estudantes, depois decide qual tecnologia realmente faz sentido. Assim, as TD deixam de ser um fim em si mesmas e passam a funcionar como mediações planejadas, capazes de favorecer participação, autonomia, colaboração e aprendizagem significativa (Coll; Monereo, 2010; Rêgo; Lima, 2010; Koehler et al., 2013).



    2. Quais critérios os autores propõem para selecionar e integrar tecnologias às atividades de aprendizagem e de que forma esses critérios ajudam a evitar a simples digitalização de práticas tradicionais?

    Os autores defendem que a tecnologia deve ser escolhida com intenção pedagógica, considerando os objetivos da atividade, o conteúdo, o perfil da turma, os conhecimentos prévios, o acesso dos estudantes e o tipo de participação esperado. Assim, a pergunta deixa de ser “qual ferramenta usar?” e passa a ser “como essa tecnologia ajuda a aprender melhor?”. Isso evita a simples digitalização de práticas tradicionais, como trocar o texto impresso por PDF ou a aula expositiva por slide, porque a tecnologia passa a favorecer interação, colaboração, autoria e feedback (Coll; Monereo, 2010; Koehler et al., 2013; Lima, 2016).


    3. De que maneira as etapas de planejamento apresentadas nos referenciais, desde a definição dos objetivos até a avaliação, contribuem para construir um design coerente, acessível e centrado na aprendizagem ativa ou participativa dos estudantes?

    As etapas de planejamento ajudam o professor a construir uma atividade mais coerente, porque ele não começa pela tecnologia, mas pelos objetivos, pelo perfil da turma e pelo tipo de aprendizagem que deseja promover. Quando o professor define o que quer ensinar, conhece os estudantes, escolhe recursos adequados, organiza a sequência e pensa na avaliação, a atividade deixa de ser improvisada e passa a ter sentido pedagógico. Assim, os alunos não ficam apenas recebendo conteúdo, mas participam, investigam, colaboram e produzem. A avaliação também entra como parte do processo, não só como nota final. Ela permite acompanhar a aprendizagem, dar feedback e ajustar a atividade quando necessário, tornando o design mais acessível, flexível e centrado na participação dos estudantes (Hayashi; Baranauskas, 2013; Koehler et al., 2013; Lima, 2016; Rêgo; Lima, 2010).

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